Devemos Desbanalizar o Banal

Precisamos Desbanalizar o Banal, não apenas observar as coisas, e sim, observar com mais detalhes, para não vivermos de forma mecânica.

Devemos observar aquilo que todo mundo vê, convive e vivencia, mas que nem sempre dá o devido valor ou trata da forma que deve realmente ser. E isso ocorre pelo fato daquilo já ter se tornado banal.

Como diz em um trecho do livro “Psicoterapia Fenomenológico-Existencial”, “o jogo do homem com o mundo se dá em três níveis: estranhamento, domesticação e hábito.

O Estranhamento diz respeito ao questionamento das coisas, à perplexidade diante dos fatos e do contestante mistério do ser.

A Domesticação determina a utilidade das coisas; situando-as no contexto das ocupações do dia-a-dia, as coisas acabam por se enquadrar no sistema de signos.

O Hábito domestica o estranho. O homem habitua-se ao mundo que ele próprio cria e toma-o como verdade, como a própria realidade. O hábito constitui-se num grande perigo, quando o homem se apega à segurança e à ordem estabelecida e se esquece de meditar, questionar, refletir sobre as coisas, pensar sobre si mesmo, enfim pelo sentido.

É preciso, portanto, recuperar por detrás dos momentos ‘hábito’, o momento ‘estranhamento’. Esta recuperação se chama pensar”.

O ser humano deve não só pensar, e sim filosofar. E para Paulo Ghiraldelli Jr., a filosofia é a desbanalização do banal. Como ele próprio diz:

“A ideia de conversar sobre o que é banal de modo à desbanalizar o banal é a tarefa da filosofia. Em todas as épocas e em todos os grupos do Ocidente, os que foram denominados de ‘filósofos’, pertencentes a qualquer doutrina ou escola, tem em comum exatamente isto: eles lançaram perguntas a respeito daquilo que não parece ser merecedor de receber uma pergunta. Então, o método da filosofia é este: pode-se conversar sobre tudo, mas sempre mirando o que não tem de ser mirado, na opinião da maioria”.

No século XVIII, a filosofia tinha a razão como objeto, no século seguinte, a história, e no último século que passou a lógica e a linguagem.

Devemos ‘filosofar’ sobre aquilo que ocorre no cotidiano, como a violência, a pobreza, o envelhecer, o aprender etc. Mas, além disso, precisamos, como mentes pensantes que somos, aprender/absorver algo de produtivo com tudo o que fazemos, vivenciamos, lemos, escutamos, assistimos etc., por mais simples ou ‘banal’ que seja; exemplos: um seriado de televisão, uma música que está fazendo sucesso, um panfleto entregue na rua, uma pergunta de uma criança etc. E, além disso, os movimentos das pessoas ao nosso redor, mesmo sem conhecê-las, ou sequer estar interagindo com as mesmas, como uma expressão facial, um movimento involuntário ou em que estão prestando atenção.

Você pode estar se perguntando: “E o que isso tudo tem haver com a Administração?” Eu digo: TUDO!

Pois um administrador deve saber o Por que fazer, O que fazer e Como fazer, ou seja, o “olho clínico”, como escreveu Peter Drucker em uma de suas obras. E para que possa fazer isso (saber o porquê, o que e o como), é essencial observar tudo ao redor, ter uma visão crítica e captar algo benéfico para as situações e decisões futuras.


Autor: Jair José M. Fernandes
Graduando em Administração na Universidade Estadual Vale do Acaraú
Acessar LinkedIn!

Postagens mais visitadas deste blog

A cultura do Jeitinho Brasileiro