A Liberdade Profissional em pleno século XXI

Você acha que, na sociedade contemporânea de hoje, há Liberdade Profissional?


Primeiramente, é essencial saber o que é Liberdade, no sentido amplo: Liberdade é o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa.

Um presidiário possui liberdade? Você pode discordar, mas na minha visão, pode se dizer que sim. Pois ele pode fazer o que quiser, desde que cumpra o que está previsto em lei. Ou seja, ele pode praticar esportes, ler livros, alimentação, receber visitas, ter assistência médica, educacional, religiosa e jurídica etc., mas desde que cumpra a pena que foi lhe imposta justamente por extrapolar a liberdade. Então, sua liberdade está limitada, não totalmente retirada.

Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que reside; é o poder que qualquer cidadão tem de exercer a sua vontade dentro dos limites da lei.

Liberdade de expressão, de pensamento, de ir e vir etc., são temas bastante discutidos, mas e a liberdade profissional, será que há?

Antes mesmo de terminar a vida escolar, quase que cem por cento, são pressionados a escolher uma carreira a seguir, com a escolha do curso superior ou técnico que irão (tentar) ingressar. E muitas vezes, são forçadas a escolher determinada área, ou até mesmo, determinado curso em tal instituição.

Posteriormente, em alguns casos, as pessoas são mal vistas pelos demais por conta do emprego que escolheram, ou até, são forçadas a escolher/aceitar determinado cargo e função.

Segundo Kant, liberdade está relacionada com AUTONOMIA, é o direito de o indivíduo dar suas próprias regras, que devem ser seguidas racionalmente. Essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis morais e não apenas pela própria vontade da pessoa.

No entanto, o que mais ocorre é a falta de liberdade dentro das organizações. As pessoas são 'obrigadas' à tomar determinadas decisões e a seguir alguns padrões impostos, não possuem essa Autonomia que é dita por Kant.

E isso acarreta em insatisfação; baixo rendimento, ou pelo menos, abaixo do possível de ser alcançado; abatimento; e mudanças de emprego. E isso tudo reflete nos resultados das empresas, que geram receitas abaixo do limite.

Na contramão, está o Google, que é conhecido mundialmente, além da alta remuneração e os serviços (como chefs e odontólogos), pela liberdade que dá a seus funcionários; quem quiser saber mais, é só procurar, na internet o termo Googleplex (como é chamada a sede da companhia, na Califórnia, Estados Unidos). No Google, seus funcionários têm toda a liberdade para criar, flexibilidade no horário de trabalho etc.

Em uma entrevista ao 'The Huffington Post', quando era vice-presidente sênior de Operações de Pessoas no Google, Laszlo Bock, disse: "Eu sei que se você tratar melhor as pessoas e lhes der mais liberdade - uma pequena medida de liberdade - elas vão fazer coisas incríveis".

No entanto, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade, uma pequena parcela de funcionários do Google, por exemplo, fala que tanta liberdade prejudica as metas da equipe e causa uma sensação de imaturidade, já que muitos empregados passam boa parte do tempo sem fazer nada ou bebendo. Enquanto uns tentam trabalhar de verdade, outros brincam demais e trabalham de menos.

Isso ocorre porque, como essa liberdade não é comum dentro das organizações, algumas pessoas acabam não assumindo suas responsabilidades, pois não estão acostumados com isso.

No 1º episódio da série "The Profit" (ou "O Sócio", como é chamado no Brasil), mostra um caso no qual os irmãos Jon e Andrew são sócios/proprietários de uma empresa revendedora de carros usados, a "1800 Car Cash"; Andrew é responsável pela área de marketing da empresa, mas Jon não o dá a liberdade para desenvolver seu trabalho, então a empresa não consegue ir bem no departamento; após a intervenção do novo sócio (e apresentador do programa) Marcus Lemonis (e muitas tentativas), eles acabam se entendendo e cada um fica responsável pela sua área de atuação, dentro da empresa, melhorando os resultados, juntamente com várias dicas e investimentos de Marcus.

O que ocorre, em grande parte das organizações, é o medo de dar e/ou receber responsabilidade para realizar as atividades. Por parte dos gestores ou diretores, há o medo de a tarefa não ser realizada da maneira desejada, por achar que o outro não possui a capacidade ou o empenho necessário para a realização da mesma; E por parte dos funcionários que são incumbidos de realizar as tarefas, há o medo de errar, de falhar no cumprimento de seu dever e ser culpado por isso, por pensar que não possui a capacidade necessária para cumprir com tais tarefas. Bem, para que esses medos sejam minimizados e haja a liberdade profissional, é necessário que os gestores, após terem escolhido os colaboradores adequados, acreditem neles, os treinem e os desenvolvam conforme as habilidades que necessitam para o alcance da visão da organização. Já os colaboradores, precisam acreditar em si mesmos, buscando sempre aprender o conhecimento necessário para executar as suas atividades, desenvolver as habilidades essenciais para as suas funções e ter atitude para crescer como profissional, ou seja, ter competência.

Autor: Jair José M. Fernandes
Graduando em Administração na Universidade Estadual Vale do Acaraú
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